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Caminhos da vida boa:
Estoicismo & Epicteto

Págs.: 146
Edição: 1ª
Formato: 14x21 cm
Idioma: Português
Lançamento: 2015
ISBN: 9788582000434

Autor: Nadir Antonio Pichler

 

 

r$ 24,90

 

 

 

Contracapa

Charles Pimentel da Silva,
editor

As religiões, o direito e a própria filosofia ainda respiram os ares fundacionais do estoicismo. Por volta do século III a.C., uma moral convincente e de inspiradora paz foi soprada por Zenão de Cítio, cujo pensamento vigorou, em discursos e escritos de muitos sábios, por seis séculos no Mediterrâneo e na Ásia Menor.

Este livro resgata e relaciona este movimento espiritual com intelectuais de diferentes épocas, que aportaram ou beberam do estoicismo, em busca dos caminhos da vida boa. A felicidade é, portanto, tema sério e antigo, perseguido por líderes, reis e imperadores, como Marco Aurélio e Alexandre.

Epicteto, um dos filósofos estóicos do período romano, facilmente diria que hoje buscamos a felicidade nos lugares errados, nas paixões, nas coisas materiais, enfim, onde não temos controle, causa maior da angustia, do sofrimento...

Esta obra também aproxima filosófica e moralmente o estoicismo do mundo hiperconsumista atual, permitindo a estudantes do assunto analogias bem fundamentadas entre felicidade, sapiência, riqueza, cuidado de si, recessão econômica, mentalidade líquida, entre outros.

Abas

Epicteto foi escravo a serviço de Nero. Estudou filosofia estoica e, depois de alforriado, dedicou-se à moral, dando palestras e ensinamentos práticos, chamados ''máximas''. Expulso de Roma, foi para Nicópolis, fundou uma escola e alcançou grande sucesso, atraindo alunos de várias regiões.

Eepicteto adotou o modelo socrático de filosofar, não deixando obra escrita, apenas dedicando-se a persuadir os ouvintes pela arte do discurso. Porém, um dos seus alunos, Flávio Arriano, baseado em anotações de aula, reuniu seus ensinamentos por escrito nos Discursos, em oito livros, dos quais somente quatro chegaram até nós. A obra intitulada Encheirídion de Epicteto (Manual de Epicteto) é a que sintetiza as máximas filosóficas mais significativas para alcançar uma vida boa e feliz e paz para a alma.

Apresentação

Nadir Antonio Pichler

Este livro volta na história da filosofia para consultar alguns intelectuais, tratados, obras específicas e correntes de pensamento de períodos distintos. O sentido da revisitação é reinterpretar o conhecimento antigo à luz de seus paradigmas culturais vigentes. Isso não significa que o saber do passado seja perfeito e capaz de converter-se em protótipo para resolver problemas de outras épocas. Porém, algumas teses ou máximas da tradição filosófica, se visitadas de forma crítica, exegética e hermenêutica, podem ainda servir de iluminação e caminho em busca da vida boa.

O estoicismo e o Encheirídion de Epicteto, por exemplo, possuem força motriz suficiente para analisar, interpretar e compreender os ideais de vida boa voltados para o mundo do agir. Mesmo em diferentes contextos, é possível extrair da filosofia estoica alguns caminhos sinalizadores, na forma de probabilidade qualitativa, para interpretar melhor o atual mundo globalizado, mercantilista e consumista, voltado exclusivamente aos valores do mundo exterior, das coisas.

Assim, de um lado da análise, estão os sábios estoicos e Epicteto, devido à sua progressão moral, consciência e domínio de si, estritamente em harmonia com os deuses, a natureza, o logos e as leis humanas. Eles eram capazes de se tornar bem-sucedidos em todas as suas ações, viver bem e com plenitude. Devido a tal sabedoria, diz-se que tudo pertence aos sábios; que eles são os conhecedores universais de tudo o que existe, das coisas tangíveis e intangíveis, imanentes e transcendentes, porque possuem uma visão profunda de todas as coisas. Esta seria uma condição conferida pela lei universal, pela estrutura hierárquica ordenada e harmônica do cosmos. Logo, estes sábios, libertos das perturbações da alma, dos desejos, dos impulsos e das paixões de toda ordem, buscam viver a impassibilidade, a tranquilidade da alma, a imperturbabilidade do espírito. Por isso, podem ser considerados guias, caminhos eficazes à vida boa, pois alcançaram a perfeição da alma pela prática da virtude, pela autarquia.

De outro lado, a autorrealização ou a vida boa do homem moderno está restrita à sua autoconservação, à livre iniciativa, ao livre comércio, enfim, ao entorno de seus bens exteriores. A felicidade desse indivíduo se realiza pela maximização das necessidades de suas carências, de seus desejos. A função da ciência moderna e de todo o avanço tecnológico, legitimado pelo estado e pelas instituições (principalmente as educacionais, incluindo as universidades, o mundo empresarial e a mídia, atualmente), é garantir os meios legítimos para a saciação dos desejos. O homem moderno existe, portanto, enquanto capaz de produzir, consumir e, eventualmente, votar, exercer a cidadania. Assim, torna-se um ser no mundo e para o mundo, porque está estruturado em torno do capital, do dinheiro e do consumo.

O objetivo deste livro é traçar, descrever e apresentar algumas máximas do estoicismo grego e do estoicismo romano, bem como da filosofia moral de Epicteto (baseada no Encheirídion) como caminhos da vida boa. Estas máximas foram usadas, ademais, de marco reflexivo para compreender, de forma provável, a busca da felicidade atual, pelo mundo do ter, no mundo das coisas.

Esta obra traz, na Parte I - Traços gerais do estoicismo, algumas razões da origem desta doutrina, bem como uma síntese do período helenístico, da busca pela liberdade e vida boa (hoje restrita à alma da pessoa, não mais no ideal coletivo da pólis). Depois, explica a gênese do estoicismo com Zenão de Cítio e Cleantes de Assos, em suas diversas fases. Também são descritos alguns preceitos do estoicismo, começando pelas ciências, passando por atributos do ser superior até chegar à ética, eixo central deste livro, ou seja, a via das virtudes, os vícios, os gêneros das paixões e as espécies de prazer.

A Parte II - Aspectos da vida e do pensamento de Epicteto faz considerações preliminares sobre o Encheirídion por meio do Comentário, de Simplício, passando pelos aspectos da epistemologia estoica, pela possibilidade da escolha, pela função dos sábios no Encheirídion e pelas teses até a divisão dos capítulos e sua edição crítica.

São analisadas recomendações filosóficas e morais do Encheirídion, destacando a principal: as coisas possíveis e impossíveis de fazer escolha, para chegar às teses fundamentais do tratado na abordagem do desejo, o apego às coisas e às pessoas amadas.

Com isso, foi possível estabelecer análises comparativas profundas entre as máximas do Encheirídion e o mundo hiperconsumista atual.

Logo, recessão econômica, consumismo e felicidade em Epicteto são discutidos, assim como compulsão atual pelo consumo e o que se considerava equilíbrio interior, inclusive por meio do ideal de emancipação em Adorno e o consumo.

Os ensinamentos do sábio sobre a riqueza, o cuidado de si não passaram despercebidos nesta obra. Também o projeto de vida, a finalidade da filosofia, a progressão moral do sábio, a tranquilidade da alma – outra ponta do eixo deste livro – capaz de gerar vida boa até a sabedoria no Encheirídion. A sabedoria atual também é trabalhada, da mesma forma que a atitude de piedade em relação aos deuses e a arte de agir bem e o silêncio interior.

Por último, são destacados alguns aspectos da recepção e influência à posteridade do Encheirídion de Epicteto.

Convém destacar que a filosofia estoica e, particularmente, o Encheirídion, além de fomentarem discussões e de serem utilizados como guia, manual e caminho à vida boa por monges e religiosos medievais e modernos, podem ainda continuar servindo de referencial reflexivo para a pós-modernidade.

Por mais que o estoicismo, bem como o epicurismo, o cinismo e o ecletismo, sejam correntes pouco estudadas nos cursos de filosofia no Brasil, o estoicismo e, especificamente o Encheirídion de Epicteto, possuem máximas que podem contribuir para interpretar e compreender criticamente, considerando os contextos culturais essencialmente diferentes, o momento histórico atual, denominado por muitos de pós-modernidade.

A ideia deste livro, ademais, é fornecer subsídios sobre o estoicismo e seus caminhos em busca da vida boa para estudantes e interessados no assunto, para que possam elaborar com eficiência argumentações, analogias e citações em torno da felicidade e suas graduais interpretações dentro do estoicismo.

Boa leitura!

Passo Fundo, outono de 2015

Sumário

Apresentação / 11
Parte I - Traços gerais do estoicismo
Capítulo 1 - Razões da origem do estoicismo / 17
Perspectiva tradicional  / 17
Eleutheria e helenismo  / 19
O agir na pólis e o agir no helenismo  / 21
Perspectiva helenista de Pierre Hadot  / 24
Capítulo 2 - Aspectos gerais do estoicismo: gênese e fases  / 29
Fontes do estoicismo  / 30
Origens do estoicismo  / 32
Zenão de Cítio / 32
Cleantes de Assos  / 36
Fases da escola estoica  / 45
As fases tradicionais  / 45
As cinco fases e suas especificidades  / 46
Fase da fundação  / 47
Fase dos primeiros escolarcas atenienses  / 47
Fase do período platonizante / 49
Fase da descentralização / 50
Fase imperial   / 51
Capítulo 3 - Algumas doutrinas do estoicismo / 53
A lógica  / 53
A física  / 54
Doutrina de Deus e seus atributos  / 55
A ética  / 58
As virtudes  / 61
Os vícios  / 62
Os gêneros das paixões  / 63
Espécies de prazer  / 65
Capítulo 4 - O sábio estoico e a busca pela vida boa / 67
O sábio e as paixões  / 67
O sábio na visão de Aristóteles e o sábio estoico  / 69
O sábio e suas atitudes  / 71
O sábio e a liberdade / 74
Parte II - Epicteto e a vida boa
Capítulo 5 - Aspectos da vida e do pensamento de Epicteto / 77
Capítulo 6 - Considerações preliminares e contextuais do Encheirídion de Epicteto  / 81
O Encheirídion de Epicteto e o Comentário de Simplício  / 81
Aspectos da epistemologia estoica  / 82
A possiblidade da escolha e a função dos sábios no Encheirídion / 85
Distinção estoica entre filosofia e discurso teórico  / 87
Outras teses do Encheirídion / 88
Capítulo 7 - Algumas recomendações filosóficas e morais do Encheirídion de Epicteto  / 91
Das coisas possíveis e impossíveis de fazer escolha / 91
A fonte e interpretações posteriores ao Encheirídion de Epicteto das coisas possíveis e impossíveis ao poder da escolha / 95
Sobre o desejo / 97
O apego às coisas e às pessoas amadas / 99
Possíveis relações de algumas máximas de Epicteto com o mundo hiperconsumista atual  / 101
Recessão econômica, consumismo e a felicidade em Epicteto / 106
Compulsão pelo consumo e o equilíbrio interior de Epicteto / 111
Epicteto, a emancipação em Adorno e o consumo  / 113
O sábio e a riqueza  / 114
O cuidado de si e o projeto de vida  / 117
A finalidade da filosofia  / 119
Progressão moral do sábio  / 121
A tranquilidade da alma  / 123
A sabedoria no Encheirídion de Epicteto e a sabedoria atual  / 124
Mentalidade líquida  / 127
Atitude de piedade em relação aos deuses / 128
A arte de agir bem e o silêncio interior  / 131
Capítulo 8 - Aspectos da recepção e influênciaà posteridade do Encheirídion / 135
Joannes Stobaeus / 36
O Eclogae e o Florilegium de Estobeu  / 36
Divisão dos capítulos e edição crítica do Encheirídion de Epicteto / 137
Considerações finais / 139
Referências / 143

 
 

 

   
   
      


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