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Desvendando a história regional: novas pesquisas

Organizadores: Amanda Siqueira da Silva, Anderson Matos Teixeira, Emannuel Henrich Reichert
Autores: Ana Luiza Setti Reckziegel, Amanda Siqueira da Silva, Emannuel Henrich Reichert, Janaíta da Rocha Golin, Josei Fernandes Pereira, Luiz Francisco Matias Soares, Anderson Matos Teixeira, Fabiano Barcellos Teixeira, Henrique Pereira Lima, Denílson Sumocoski, Leomar Rippel, Ronaldo Zatta
Págs.: 240
Edição: 1ª
Formato: 14x21 cm
Idioma: Português
Lançamento: 2013
ISBN: 9788582000182


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Abas

Ana Luiza Setti Reckziegel,
doutora em História e docente
do PPGH-UPF

O conceito de história regional foi, até pouco tempo, sinônimo de uma história localista, feita por autodidatas ou memorialistas, sem preparo teórico e sem conhecimento metodológico do metiér do historiador.

Tratava-se de uma história impregnada de espírito paroquial, sem uma definição precisa sobre o entendimento de região. Em grande parte, estes trabalhos entendiam a região como o local, a cidade e seu entorno, não havendo articulações com os níveis mais amplos da escala histórica. Daí essa história ser tida como algo menor, periférico ou mesmo marginal frente às chamadas grandes sínteses nacionais.

Os estudos sobre história regional começaram a tomar maior amplitude a partir do final da década de 1980, um contexto influenciado pelo esgotamento das macro-abordagens, as quais se mostravam insuficientes para explicar realidades mais particularizadas, e pela instalação dos cursos de pós-graduação stricto sensu em vários estados do país. O interesse em explicar temas nacionais a partir de problemáticas regionais levou os pesquisadores a se preocuparem em precisar alguns conceitos que até então eram entendidos em seu significado convencional, a exemplo do conceito de região.

Para aqueles pesquisadores, a região não poderia ser entendida como algo dado e daí adveio a necessidade de atribuir ao termo sentido ampliado. A região passou a ser analisada como fenômeno concreto e observável e também como uma categoria de análise.
É fato que, ao longo das últimas décadas, os estudos de história regional têm ultrapassado em muito o critério simplista de espaço, tendo avançado na reflexão conceitual e metodológica do sentido e do fazer da história regional e também do  significado da região no processo de análise de realidades específicas. [...]

Confira o texto completo no Capítulo I deste livro...

Contracapa

Gizele Zanotto,
doutora em História Cultural pela UFSC

 

Esta obra é um dos reflexos de uma postura pluralizada do ofício histórico de fazer e escrever história. Resultado de pesquisas empreendidas no decurso do Mestrado em História Regional da Universidade de Passo Fundo, os capítulos desta coletânea evidenciam a riqueza da produção recente da historiografia não só ao propor novas questões e perspectivas, mas também ao questionar abordagens clássicas e, especialmente, ao evidenciar olhares múltiplos lançados aos objetos de pesquisa. Também como resultado dessa postura historiográfica, temos a proposição de que a atitude crítica e o olhar ampliado do historiador são necessários para o enriquecimento de toda análise proposta. Assim sendo, a complexidade sócio-histórica também marca as produções vinculadas à perspectiva política, social, cultural ou institucional em cada um dos capítulos deste livro.

A primeira parte da obra agrega produções sobre a história, cultura e política do Rio Grande do Sul. Parte da conceituação de historiador e de história regional; um resgate dos primórdios da Brigada Militar; análise de fontes judiciais de crimes de sedução; imaginário social sobre a Revolução Farroupilha; usura e cooperativismo de crédito; República Velha e a historiografia nas páginas dos jornais. A segunda parte deste livro atém-se à região platina, com temas como relações do eixo Brasil-Argentina com os Estados Unidos; povos platinos, rede e organização sociocultural. A terceira parte agrupa estudos sobre o Sudoeste do Paraná, tais como processo de ocupação e geopolítica.

A história é uma ciência em construção contínua, que é também histórica e tem muito a aprimorar-se e a contribuir com a sociedade. Desvelar os meandros de fatos e contextos que parecem dados, desobscurecer pré-conceitos, historicizar comportamentos e ações, são sim importantes meios de reflexão sobre o ser e o fazer história de cada um de nós, pesquisadores e leitores.

 

Prefácio

Luiz Francisco Matias Soares

Esta publicação é o fruto do esforço de um grupo de estudantes de mestrado do Programa de Pós-graduação em História da Universidade de Passo Fundo. A ideia surgiu em uma manhã quente de outubro de 2011, após uma aula em que se debatia a necessidade de cada vez mais publicar as pesquisas nos meios acadêmicos. No mesmo dia, procuramos a Coordenação do curso, que tanto nos apoiou desde o princípio, e iniciamos a montagem do projeto para a publicação.

Nosso objetivo, a reunião de textos com abordagem regional; mas sem concentrá-los em um só formato ou tema. Para isso, buscamos na especificidade de cada região abordada um olhar com sua descrição. Daí surgiu a ideia de montar eixos que agregassem os capítulos de maneira a sistematizar os assuntos em uma sequência, porém respeitando a originalidade de cada ensaio como capítulo.

Considerando que a história regional não é um método e sim uma abordagem em determinado espaço relacionado com um recorte temporal estabelecido, estas diversas peças reunidas nesta publicação guardam na variedade de espaços e tempos apresentados e na pluralidade de temas a riqueza de possibilidades dos diversos aspectos regionais.

Na grande maioria, trata-se de temas desenvolvidos ou revisitados em pesquisas científicas para o Programa e marcam a passagem dos autores pelo Mestrado da Universidade de Passo Fundo como alunos. Nesse aspecto, a obra ganha também um viés emocional, já que os companheiros de aula estão gravados nas páginas deste livro.

Assim, deu no que deu: abordagens reunidas em eixos para que o leitor possa lê-las em conjunto ou separadamente, como for do gosto de quem estiver com a obra em mãos. E, sobretudo, esta obra é o registro de um tempo bom, o de grandes amizades.

Apresentação

Gizele Zanotto

Há décadas Pierre Nora já asseverava que "vivemos a fragmentação da história". Isso não significa a defesa da hiper-especialização ou a simples negação de uma história geral e globalizante, não, essa história fragmentada é a própria proposição de uma história total por outras vias, a das problemáticas, dos estudos delimitados no tempo e no espaço, mas não desprovidos de conexões com o amplo e global. Destarte, o que mais fascina é perceber a inesgotabilidade dessa fragmentação, das problematizações, das incorporações teórico-metodológicas, assim como dos objetos, das abordagens e das fontes postas à análise da ciência histórica a cada nova geração de historiadores. Nesse sentido, corroboramos a perspectiva de Nora ao defender que vivemos sim uma fragmentação da história, vivemo-la intensa, contínua e proficuamente.

A obra que ora apresentamos é um dos reflexos dessa postura pluralizada do ofício histórico de fazer e escrever história. Resultado de pesquisas empreendidas no decurso do Mestrado em História Regional da Universidade de Passo Fundo, os capítulos desta coletânea evidenciam a riqueza da produção recente da historiografia não só ao propor novas questões e perspectivas, mas também ao questionar abordagens clássicas e, especialmente, ao evidenciar olhares múltiplos lançados aos objetos de pesquisa. Também como resultado dessa postura historiográfica, temos a proposição de que a atitude crítica e o olhar ampliado do historiador são necessários para o enriquecimento de toda análise proposta. Assim sendo, a complexidade sócio-histórica também marca as produções vinculadas à perspectiva política, social, cultural ou institucional em cada um dos capítulos deste livro.

A coletânea, com muita justeza, inicia com o texto O historiador e a história regional, de Ana Luiza Setti Reckziegel, que discute a conceituação de história regional, assim como sua historicidade e proficuidade como proposta de análise. Como demonstra a autora, a história regional vai além da compreensão de um recorte localista, particular, para propor um enfoque diferenciado para a compreensão do global. Enfoque esse que se ampara na observação das relações e articulações pautadas em uma concepção de região também inovadora, não entendida como recorte geográfico somente, mas também como delimitação cultural, sócio-histórica e política, de acordo com a proposta de cada pesquisador.

A primeira parte da obra agrega produções sobre a história, cultura e política do Rio Grande do Sul. No texto Uma abordagem de história regional: A Brigada Militar nas páginas da revista Pindorama, Amanda Siqueira da Silva analisa o olhar institucional da história dessa instituição do Rio Grande do Sul a partir da revista da entidade, intitulada Pindorama, que foi publicada entre 1926 e 1928. Mais do que um periódico militar, a revista dedicava-se a temas contemporâneos (acontecimentos no país e no mundo) e também a questões de lazer e de cultura. Assim, o periódico se constitui em um manancial importantíssimo para a constituição e/ou consolidação da leitura militar do contexto político-social e dos fatos cotidianos para os brigadianos e seus familiares, que possuíam acesso à publicação.

A problematização do que parece dado, verdade, natural, também é realizada por Emannuel Henrich Reichert no capítulo Reparar o mal: casamento e crimes de sedução no norte do Rio Grande do Sul, 1942-1969. Partindo de fontes judiciais da comarca de Soledade, o autor analisa os chamados "crimes de sedução", evidenciando as intrincadas redes de sociabilidade, elementos culturais, convenções sociais e modelos de família implicados em cada caso de processo iniciado. Mais do que crimes de sedução em si, o estudo avalia as complexas redes de poder, saber e querer envoltas em processos judiciais, geralmente iniciados para reparar o mal e (tentar) restaurar a honra dos familiares.

Uma abordagem cultural é realizada em Representações artísticas da Revolução Farroupilha, de Janaíta Golin. A autora detém-se na avaliação das representações sobre a guerra civil e também sobre sua mobilização para a constituição de um imaginário social sobre o conflito. A análise da construção estética de um evento como a Revolução Farroupilha, articulando-a a constituição de ideários sobre o conflitos, imaginário e mesmo identidades dos rio-grandenses, é extremamente relevante, visto a incessante rememoração laudatória de eventos, que, pela mobilização e ênfase recebidas por grupos sociais e tradicionalistas, acaba por construir uma memória outra que é tida como verdade, que é naturalizada.

Josei Fernandes Pereira avalia a constituição histórica da usura pelos católicos, analisando a ressignificação dessa prática do medievo ao século XX. Em Usura e cooperativismo de crédito na região Noroeste do Rio Grande do Sul (1902-1930), o autor discute o quanto a prática usurária foi sendo despida de seu caráter imediatamente pecaminoso e também como a instituição eclesial propôs e defendeu alternativas a ela, visando evitar a danação de seus fiéis. O caso da colonização do estado rio-grandense mostra-se como mais um contexto propício à encampação de substitutivos aos colonos imigrantes, especificamente com a defesa do cooperativismo e das caixas rurais como entidades de auxílio mútuo que afastariam os fiéis do pecado da usura.

No texto A República Velha e a história política regional nas páginas dos jornais: o caso do "A Nação" na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, Luiz Francisco Matias Soares empreende uma análise sobre os avanços metodológicos que possibilitaram um revigoramento das fontes periódicas para o estudo da história política. Tal perspectiva tem como marco as ações dos chamados "analistas" que defenderam a renovação da ciência histórica com a consideração de novos objetos, abordagem e fontes, o que possibilitou uma progressiva retomada de estudos de história política, mas agora com base em outros elementos e ênfases. Sobretudo, o autor destaca o uso profícuo das fontes periódicas como um dos vetores dessa renovação historiográfica contemporânea.

A região do Prata é tema dos artigos da segunda parte dessa publicação. O eixo regional Brasil e Argentina e suas relações com os Estados Unidos entre 1930-45 analisa a configuração geopolítica dos principais países da América do Sul ante o estado estadunidense no contexto posterior à crise de 1929, no entre-guerras, no contexto de ascensão e consolidação dos fascismos e governos ditatoriais e também durante a II Guerra Mundial. O autor Anderson Matos Teixeira evidencia as tensas relações entre os países bem como as estratégias e opções de cada um dos envolvidos, indicando como as relações históricas e os projetos de nação foram marcantes para a decisão dos rumos que cada país adotou em relação ao vizinho do norte.

A região platina ganha ainda mais destaque em Povos platinos em rede: Breve análise sobre correspondências nos oitocentos, de Fabiano Barcellos Teixeira, e Região Platina: organização sociocultural em um espaço supranacional, de Henrique Pereira Lima. O primeiro texto se atém à análise da epistolografia e evidencia os meandros de uma política agressiva do Brasil em relação a países platinos entre 1850 e 1855. Ações militares e ações diplomáticas foram intermitentes, como nos evidenciam as missivas analisadas por Fabiano Teixeira, sobretudo no que se refere à invasão de 1855. Já Henrique Lima destaca a formação histórica, cultural, social e econômica da região platina. Embora a fragmentação da região em unidades políticas tenha se constituído ao longo dos séculos XVIII e XIX, a identidade cultural e histórica é ainda marca evidente naquele espaço.

A terceira parte desta obra contempla estudos acerca do Sudoeste do Paraná, região de colonização recente marcada pela territorialização daquele espaço por descendentes de imigrantes europeus que viviam, sobretudo, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os capítulos de Denílson Sumocoski e de Leomar Rippel e Ronaldo Zatta empreendem uma crítica à historiografia da constituição do sudoeste do Paraná, ressaltando que as propostas dos analistas estiveram marcadas pelas premissas do projeto colonizador e civilizador empreendido pelo estado brasileiro a partir de meados do século XX. O Sudoeste do Paraná e o processo de ocupação/construção regional, de Denílson Sumocoski, avalia o quanto o silenciamento sobre a ocupação indígena e cabocla foi relevante para legitimar o projeto colonizatório empreendido pelo estado naquela região, considerada, sob a ótica do Estado, um "vazio demográfico".

O desmonte desse discurso laudatório que valoriza os pioneiros colonizadores (migrantes do estado extremo-sulino, especialmente) também é base do capítulo de Leomar Rippel e Ronaldo Zatta. Sudoeste paranaense: sob a égide da geopolítica segue a Marcha "Civilizacional" analisa a articulação da tríade "ocupar, civilizar e proteger", premissa do projeto de integração nacional e segurança nacional do governo de Getúlio Vargas (1930-1945). No texto, os autores também problematizam a participação dos militares no projeto nacional, sobretudo no que se refere à denominada Revolta dos Posseiros (1957).

Tamanha diversidade de temas, propostas e abordagens acaba por ratificar a postura de que a história é uma ciência em construção contínua, que é também histórica e tem muito a aprimorar-se e a contribuir com a sociedade. Desvelar os meandros de fatos e contextos que parecem dados, desobscurecer pré-conceitos, historicizar comportamentos e ações, são sim importantes meios de reflexão sobre o ser e o fazer história de cada um de nós, pesquisadores e leitores. Ricoeur já defendia que as obras históricas têm infinitas possibilidades, pois fazem circular, renovar e transmitir cultura. Nesse sentido, esperamos que estes artigos sejam profícuos a todos os leitores, que lhes sejam vetores de novos questionamentos e também bases para uma compreensão mais acurada da sociedade em que vivemos.

Sumário

Prefácio
Luiz Francisco Matias Soares   / 5

Apresentação
Gizele Zanotto  / 7

Capítulo I - O historiador e a história regional
Ana Luiza Setti Reckziegel  / 15

Parte I
Rio Grande do Sul: História, cultura e política

Capítulo II - Uma abordagem de história regional: A Brigada Militar nas páginas da Revista Pindorama
Amanda Siqueira da Silva   / 31

Capítulo III - Reparar o mal: Casamento e crimes de sedução
no Norte do Rio Grande do Sul - 1942-1969
Emannuel Henrich Reichert  / 45

Capítulo IV - Representações artísticas da Revolução
Farroupilha
Janaíta da Rocha Golin  / 69

Capítulo V - Usura e cooperativismo de crédito na região
noroeste do Rio Grande do Sul - 1902-1930
Josei Fernandes Pereira  / 91

Capítulo VI - A República Velha e a história política regional nas páginas dos jornais: O caso do A Nação na fronteira oeste do Rio Grande do Sul
Luiz Francisco Matias Soares  / 115

Parte II
O Prata: uma região transnacional

Capítulo VII - O eixo regional Brasil-Argentina e suas relações com os Estados Unidos - 1930-1945
Anderson Matos Teixeira  / 141

Capítulo VIII - Povos platinos em rede: Breve análise sobre correspondências nos oitocentos
Fabiano Barcellos Teixeira  / 161

Capítulo IX - Região platina: Organização sociocultural em
um espaço supranacional
Henrique Pereira Lima  / 181

Parte III
Sudoeste do Paraná: a construção de uma região

Capítulo X - O Sudoeste do Paraná e o processo de ocupação /construção regional
Denílson Sumocoski   / 203

Capítulo XI - Sudoeste paranaense: Sob a égide da geopolítica, segue a marcha civilizacional
Leomar Rippel, Ronaldo Zatta  / 223

 
 

 

   
   
      


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