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A música na obra de Erico Verissimo: polifonia, humanismo e crítica social

Autor: Gerson Werlang
Pág.: 392
Edição: 1ª
Formato: 14x21cm
Idioma: Português
Lançamento: 2011
ISBN: 9788589769952

 

 

Texto de orelha

Rosani Úrsula Ketzer Umbach
Drª.em Letras-PPGL-UFSM

Este livro é uma importante e inovadora contribuição aos estudos sobre a obra de Erico Verissimo, escritor reconhecidamente entusiasmado com os movimentos musicais de sua época, a ponto de integrar elementos referentes a eles em seus romances. Gérson Werlang reúne as melhores qualidades para abordar esse aspecto interdisciplinar e transitar pelas duas áreas do conhecimento, Música e Literatura. Doutor em Letras e músico de formação, o autor mapeia, neste volume, as figurações musicais na ficção do escritor gaúcho. Mas o levantamento da presença da música é apenas o ponto de partida para este estudo pioneiro, que vai além da análise do tema. O mérito do trabalho está em detectar as técnicas de composição musical empregadas por Erico Verissimo na estrutura de suas narrativas, entre as quais se destaca a do contraponto. O livro mostra, com detalhes, como o escritor integra essas técnicas de criação musical em seus textos para, como um maestro, "compor" suas obras.

Texto de contracapa

Pedro Brum Santos
Professor de Literatura - UFSM

Conforme afirma uma personagem de Thomas Mann, em A montanha mágica, "a música é sempre suspeita". Dezenas de séculos antes, em A república, Platão já advertira que ela poderia subverter a ordem. Modernamente, na mesma linha de prevenção, os regimes totalitários trataram de mantê-la sob controle. À literatura, como é fácil perceber, nada disso é estranho. Afinal, trata-se de arte que costuma considerá-la uma matéria afim. Menos óbvio é perceber e explicar a materialização dessa afinidade. Respostas a perguntas como quais as consequências que a música pode trazer aos sentidos implicados em um texto literário ou de que forma ela interfere na organização interna de uma narrativa, de fato, não encontramos facilmente na crítica especializada. Enfrentar questões como essas é o desafio a que se propõe Gérson Werlang. Para tanto, toma como objeto de estudo a obra de Erico Verissimo, o ficcionista brasileiro que levou mais longe essa afinidade ao incorporar a expressão musical em praticamente todos os seus livros. Músico de formação e profundo conhecedor da obra do escritor gaúcho, Gérson, que, além do mais, é dono de um texto bem articulado e, portanto, de agradável leitura, presenteia-nos com uma resposta admirável à pesada tarefa que se impôs. O resultado é uma contribuição magnífica e, desde logo, imprescindível à vasta fortuna crítica de Verissimo.

Prefácio

Maria da Glória Bordini
Porto Alegre,
primavera de 2011

Finalmente, a tese de doutorado de Gérson Luís Werlang, Polifonia, humanismo e crítica social: a música na obra de Erico Verissimo, transforma-se em livro. Defendida em 2009, sob orientação de Rosani Umbach, no Programa de Pós-Graduação em Letras/Estudos Literários da Universidade Federal de Santa Maria, a obra, na feição atual, persegue relações musical-literárias detectáveis na obra completa de Erico Verissimo, até agora desconsideradas pela crítica. Seu argumento é que na história da música e na história da literatura as duas artes alimentaram-se mutuamente, uma fornecendo à outra temas, modos de estruturação, personagens e histórias, o que ocorre também na literatura de Verissimo.

Os três primeiros capítulos percorrem, com uma pertinácia minuciosa, toda a obra romanesca de Erico (incluindo os contos de Fantoches) em busca da presença da música nos enredos. Detectam em que passagens a música aparece e descrevem o modo como aparece. Um quarto capítulo investe na estruturação polifônica de Caminhos cruzados e de O resto é silêncio, demonstrando como a literatura de Erico repousa sobre técnicas musicais. Mudando da estrutura para o tema, o quinto capítulo destaca um elemento, o baile como encontro social, nos textos de Caminhos cruzados,

O retrato e em "Noite de ano bom", de O arquipélago. Finalmente, a obra defende a idéia de que a música na obra de Verissimo tem função emancipatória, promovendo a esperança num mundo mais justo, conforme o ponto de vista de Ernst Bloch.

De início, o trabalho verifica a presença da música nos títulos dos romances ou em partes desses, anotando quando é citada e quando participa da práxis das personagens. Aborda-se a música na cidade grande e na cidade pequena, prefigurando uma história dos costumes musicais nos períodos tematizados por Verissimo, o que não só abre uma perspectiva ainda não explorada no romance do escritor, mas desvela representações utilizáveis por outras áreas do conhecimento, como a antropologia e a história da cultura.
Na metade de seu desenvolvimento, aflora o músico que é Gérson Werlang. Na análise da polifonia literária, evidencia-se sua expertise musical, de modo nunca antes exercido sobre os romances de Verissimo, salientando as variações da técnica de contraponto empregadas nos romances. Dá-se ênfase aos aspectos melódicos e harmônicos da tessitura narrativa e ilustram-se os processos polifônicos encontrados com bem concebida notação gráfica aplicada ao enredo dos romances, dando-lhes visibilidade. Werlang cria, por esse meio, um modelo visual para a análise da polifonia, assunto em geral tratado, em literatura, pela teoria de Mikhail Bakhtin, cujo foco é as vozes ideologicamente fundadas e não a alternância das melodias.

No seu final, a obra sai da estruturação para incidir sobre um aspecto temático da música nos romances: o baile. O autor contextualiza as diversas épocas dos bailes selecionados, os códigos sociais das coletividades envolvidas, as divisões de classe, as rivalidades dos participantes e dá ênfase ao componente de conquista sexual e de poder. Tudo isso encaminha o texto para a abordagem de questões fundamentais do ideário do escritor: discutindo o sentido crítico-social do uso da música no romance de Verissimo, realça-se sobremaneira a posição humanista do escritor. Werlang sublinha, de acordo com Bloch, as representações musicais da esperança, associando esta à necessidade do sonho, da interação com o outro, e vendo-a ao mesmo tempo como protesto e consolo em meio à desolação, como resistência à tirania, como aspiração à beleza, como fuga para "a bela terra estrangeira", como sinal de fé num futuro melhor.

É assim que esta obra oferece uma contribuição realmente inovadora à crítica de Erico Verissimo. Realiza um amplo e inédito reconhecimento das relações música-literatura na obra do autor, com instigante proposição de elementos novos no quadro dos estudos sobre Verissimo. O quarto capítulo, além de demonstrar grande familiaridade com as formas musicais da polifonia, é o mais original, pois transforma vagas afirmações da crítica em evidências graficamente comprovadas, como se a estruturação das obras fosse mostrada em pautas musicais.

Com esta obra, Gérson Werlang mostra-se um pesquisador-músico afeito à arte, capaz de procurar as mínimas ressonâncias da mesma no texto literário. Além disso, revela-se um analista perspicaz, de constatações sutis e precisas, talhado para a pesquisa que empreendeu. Trata-se de um belo trabalho, que desenvolve com propriedade uma questão praticamente desconhecida na bibliografia do autor, à qual acrescenta insights inauguradores. Enfim, este é um estudo que faz honra à obra de Erico Verissimo: valoriza a música, uma das artes, ao lado da pintura, que apaixonava o escritor e que o acompanhava, não só como lazer preferido, mas especialmente em seus momentos de criação.

Sumário

Prefácio / 11
Introdução / 21

1. A música na obra inicial de Erico Verissimo / 33

1.1 Fantoches / 33

1.2 Clarissa / 36

1.3 Caminhos cruzados / 45

1.3.1 Os sons de Porto Alegre nos anos trinta / 46

1.3.2 Caracterizações individuais / 47

1.4 Música ao longe / 52

1.4.1 A música nas pequenas cidades nos anos trinta / 55

1.5 Um lugar ao sol / 57

1.5.1 Universos coletivos e particulares / 60

1.5.2 Ópera / 65

1.6 Olhai os lírios do campo / 66

1.7 Saga / 70

1.7.1 O círculo de giz / 71

1.7.2 Sórdido interlúdio / 75

1.7.3 O destino bate à porta / 77

1.7.4 Pastoral / 80

1.7.5 Outros aspectos musicais / 85

1.8 O resto é silêncio / 91

1.8.1 A paisagem sonora da cidade / 93

1.8.2 Paisagens musicais individuais / 94

1.8.3 Tônio Santiago / 100

1.8.4 O Sete / 102

1.8.5 Bernardo & Marina: outros aspectos musicais / 104

2. A música em O tempo e o vento / 107

2.1 O continente / 108

2.1.1 A fonte / 109

2.1.1.1 A música como elemento de conquista / 113

2.1.2 Ana Terra / 116

2.1.2.1 Pedro e Ana: o canto inverso da sereia / 117

2.1.3 Um certo Capitão Rodrigo / 123

2.1.4 A Teiniaguá / 126

2.1.4.1 O empobrecimento da paisagem musical / 133

2.1.5 A guerra / 135

2.1.6 Ismália Caré / 141

2.1.6.1 A guerra dos bailes / 143

2.1.6.2 Licurgo / 145

2.1.6.3 A cavalhada / 147

2.1.7 Interlúdios / 151

2.1.8 O sobrado / 153

2.2 O retrato / 155

2.2.1 Chantecler / 157

2.2.1.1 Música no Sobrado  / 162

2.2.1.2 A Gioconda  / 171

2.2.1.3 Ópera e política / 173

2.2.1.4 Trovas e serenatas  / 176

2.2.2 A sombra do anjo  / 179

2.2.3 Rosa-dos-ventos / 193

2.2.4 Uma vela pro Negrinho / 195

2.3 O arquipélago / 197

2.3.1 O deputado / 198

2.3.2 Lenço encarnado / 202

2.3.2.1 Neu-Württenberg / 204

2.3.3 Um certo Major Toríbio / 206

2.3.3.1 Notícias da marcha / 208

2.3.3.2 O batalhão baiano / 210

2.3.3.3 O mundo se modifica / 212

2.3.4 O cavalo e o obelisco / 215

2.3.4.1 Prof. Zapolska e Roberta Ladário / 217

2.3.5 Noite de ano bom / 221

2.3.6 Do diário de Sílvia / 223

2.3.7 Caderno de pauta simples / 226

2.3.8 Reunião de família / 227

2.3.9 Encruzilhada / 229

3. A música nos últimos romances / 231

3.1 Noite / 232

3.1.1 A paisagem musical de Noite / 234

3.2 O senhor embaixador / 237

3.2.1 A paisagem musical da República do Sacramento / 238

3.2.2 Leonardo Gris e Pablo Ortega / 242

3.3 O prisioneiro / 247

3.3.1 A música em O prisioneiro / 249

3.3.2 Jazz / 250

3.3.3 Vozes da contracultura / 252

3.4 Incidente em Antares / 254

3.4.1 A paisagem musical na primeira parte: Antares / 255

3.4.2 Paisagens musicais individuais / 260

3.4.2.1 Dominique / 261

3.4.2.2 Menandro Olinda / 262

3.4.2.2.1 Detalhes do repertório / 266

3.4.3 Outras paisagens musicais individuais / 267

3.4.4 A paisagem musical na segunda parte: O incidente / 268

3.4.4.1 A banda farsesca e a cidade surda / 269

3.4.4.2 A música dos mortos / 270

3.4.4.3 Um concerto post mortem / 275

4. As estruturas polifônicas na obra de Erico Verissimo / 279

4.1 A estrutura polifônica em Caminhos cruzados / 280

4.1.1 Os núcleos / 283

4.1.2 Os aspectos melódico e harmônico da estrutura polifônica / 286

4.1.3 Domingo / 288

4.1.4 Segunda-feira / 290

4.1.5 Terça-feira / 291

4.1.6 Quarta-feira / 292

4.1.7 As relações harmônicas / 293

4.2 A estrutura polifônica em O resto é silêncio / 296

4.2.1 Os núcleos em O resto é silêncio / 298

4.2.2 A estrutura polifônica / 301

4.2.3 Desdobramentos dos núcleos / 304

4.2.4 A polifonia na segunda parte do romance: Sábado de Aleluia / 304

4.2.5 As relações harmônicas em O resto é silêncio / 308

5. Os bailes na obra de Erico Verissimo / 311

5.1 O baile do Metrópole / 313

5.2 O baile d'O retrato / 317

5.2.1 Antes do réveillon / 317

5.2.2 Códigos / 320

5.2.3 Dona Emerenciana / 323

5.2.4 A nata e o leite / 327

5.2.5 Os tenentes rivais / 335

5.2.6 À meia-noite / 336

5.3 Os bailes de réveillon em Noite de ano bom de O arquipélago / 338

5.3.1 Contexto político e social / 338

5.3.2 O baile no Sobrado / 339

5.3.3 Os irmãos / 343

5.3.4 Fim de festa / 348

6. A esperança como guia / 351

6.1 Um farol na tempestade / 351

6.2 Os sonhos diurnos / 354

6.2.1 Outros espaços do sonho / 357

6.3 Imagens musicais da esperança / 359

6. 3.1 Um piano na guerra / 361

6.3.2 O gramofone abandonado / 365

6.4 Os sons que o vento leva: a esperança no outro / 367

6.5 Um violão na revolução / 369

6.6 Os cânticos da beleza / 372

6.7 A esperança no exótico / 373

6.8 Os gritos do silêncio / 374

6.9 Os sons da mudança / 377

6.10 A fé basilar / 378

Considerações finais / 383

Referências bibliográficas / 385

Lista de abreviaturas / 391

 
 

 

   
   
      


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