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Cultos de nação: orixás na África e no Brasil: os primeiros terreiros de candomblé no Brasil

Autor: Odalgil Nogueira de Camargo
Edição: 1ª
Pág.: 208
Formato: 14x21 cm
Idioma: Português
Lançamento: 2010
ISBN: 9788589769709

r$ 29,90



 

 

Texto de orelha

Lúcia Souza
Especialista em Bibliotecas – UNB

 

Vivemos numa época marcada pela rapidez nas inovações tecnológicas e na transmissão das informações. As notícias veiculadas hoje pelos meios de comunicação logo serão esquecidas. Pensando nisso, Camargo realizou uma pesquisa rigorosa, a mais ampla no assunto já efetivada no Brasil, e elaborou um largo painel em que elucida, com propriedade, o trânsito dos orixás na caminhada humana, traçando períodos entre o nascer na áfrica e o culto à energia dos orixás no Brasil.

Nosso escritor ascende, através dessa obra, o poder da conexão humana versus orixá, relatando como o candomblé aportou no Brasil, aflorou, expandiu-se, tornando-se uma das maiores e mais bem estabelecidas religiões cultuadas em nosso país.

O estudo da história dos orixás e do candomblé pode ajudá-lo a organizar as informações, hierarquizá-las, interpretá-las, enfim, a transformar a informação em conhecimento e assim contribuir para que você leitor, simpatizante desse mundo memorável dos orixás, inicie o fabuloso contato com as divindades da África.

Com a costumeira maestria, Camargo desenvolve itens como: nações – povos africanos; navios negreiros – tráfico de escravos; estudo das tribos yorubás; dinastia dos orixás; hierarquia de reis e santos; as categorias – quem é quem entre as divindades; a comunicação com os santos através dos tambores sagrados; o culto aos orixás na África e no Brasil; a história Bahia-África; o perfil de cada orixá; o revelador jogo de búzios; mito e mitologia; o arquétipo de cada orixá; os terreiros de candomblé no Brasil. [...]

Texto de contracapa

Charles Pimentel,
editor

Sair a campo, pesquisar, correr riscos, construir conhecimento e expor-se à crítica é comum entre os de espírito pioneiro, os mesmos que com sagacidade avistaram o Novo Mundo há 500 anos. A analogia é para o professor Camargo pela iniciativa própria de estudar as raízes religiosas que conectam os brasileiros à África, também chamada de “berço da humanidade”.

A religião (atividade-profissão do autor já há 30 anos) tem uma história longa, pois acompanha a evolução do ser humano, desde os seus primórdios, tendo também evoluído e incorporado novos ramos, passando por diferentes estágios e aumentando sua área de abrangência.

A doutrina africana tem como um de seus braços o candomblé que veio ao Brasil com o tráfico de escravos, trazendo toda uma cultura milenar que se faz presente até hoje na culinária, no comportamento social, nas cerimônias religiosas, na vestimenta, na música e em muitas outras áreas. O tema é considerado patrimônio cultural e artístico tanto por instituições nacionais (IPHAN) quanto por mundiais (UNESCO), entre outras.

Este livro mostra um pouco dessa história e explica a organização dessa prática, revelando um traço de uniformidade entre as religiões e a tendência humana à fé. Também faz referência a alguns expoentes tradicionais do candomblé brasileiro, especificamente, de Salvador - Bahia (que este ano comemora o seu centenário), desde a Mãe Aninha (1909-1938) até a contemporânea Mãe Stella.

O que se pretende é facilitar o entendimento das hierarquias, dos sacerdócios, dos cultos, das oferendas, dos sacrifícios e dos idiomas que o candomblé abrange. Por exemplo: os “orixás” são forças energéticas que governam a natureza e têm seu sincretismo nos santos do catolicismo. Os “terreiros” ou “roças” são os templos, como se fossem igrejas. As nações “keto, povo yorubá ou nagô”, “bantu ou angola, povos do Congo e Angola” e “jejê, povos ewe e fon” são algumas divisões (que possuem subdivisões) de grupos de diferentes regiões africanas.

Enfim, o prazer do descobrimento fica por conta da curiosidade de cada leitor, assim como a beleza da criatividade e da pluralidade brasileiras de hoje em dia estiveram a cargo de suas mesclas culturais.

Sumário   

Evolução / 5

A vida me ensinou / 9

Homenagens / 11

Prefácio / 15

Introdução / 21

Primeira parte – Tráfico de escravos

Raízes / 25

Nação Keto – povo yorubá ou nagô – idioma yorubá / 26
Nação Banto ou Angola – povos do Congo e Angola – idioma kibundo / 26
Nação Jêje / Mina Jeje – povos ewe e fon – idioma fon / 27

Primeiros navios negreiros / 27

Tráfico de escravos / 28

Sincretismo / 33

Os yorubás / 38

Idioma yorubá / 38
A terra yorubá / 39
A religiosidade dos yorubás / 39
Mito da origem do povo yorubá / 40
Uma só religião / 42

Dinastia de orixás / 42

Poder e mistérios de Oduduwa e seus descendentes / 42
Reis e santos de Oyó / 44
Quem é quem entre as divindades / 45
Tambores sagrados / 45
O culto dos orixás / 47

Os orixás na África / 48

Elegum de Omolú – Xapanã / 53

Olódùmarè – o deus supremo / 55

Relações Bahia-África / 58

A natureza e os orixás / 60

A hierarquia da religião dos orixás babalaô / 63

Babalorixá / 63
Ialorixá / 64
Babá Eguns / 64
Origem do babalawo / 65
Os búzios em sua vida – a chave de sua origem é a resposta
às suas perguntas / 67
Quem são os odus / 67
Seus anjos da guarda / 69

Mitologia e religião / 69
Arquétipos / 71

Arquétipo de Ogum / 71

Arquétipo de Iansã / 75

Arquétipo de Xangô / 77

Arquétipo de Ossanha / 79

Arquétipo de Xapanã / 81

Arquétipo de Oxum / 83

Arquétipo de Yemanjá / 85

Arquétipo de Oxalá / 87

Notas / 89

Segunda parte – Bará/Exú – na África

Bará/Exú - na África / 93

Bará/Exu – Presente na mitologia grega como “priapo”,
divindade da procriação... / 96

Terceira parte – Monólogo sobre Bará/Exú

Monólogo sobre Bará/Exú / 99

Quarta parte – Primeiros terreiros de candomblé no Brasil

Primeiros terreiros de candomblé no Brasil / 109

Quinta parte – 100 anos de candomblé do Axé Opô Afonja

100 anos de Candomblé do Ilê Axé Opô Afonjá / 119
Mãe Aninha de Xangô Obá Biyi 1909 -1938 / 120
Mãe Bada de Oxalá Olufan Deyi 1939 -1941 / 121
Mãe Senhora de Oxum Múyiwa 1942 - 1967 / 122
Mãe Ondina de Oxalá Iwin Tòná 1969 - 1975 / 123
Mãe Stella de Oxossi Iya Ode Kayode, 1976, até a presente data / 124
Alguns pensamentos de Mãe Stella / 125
Sexta parte – Candomblé no Brasil

O candomblé no Brasil / 131

Imagens do candomblé / 151
Sétima parte – Os obás de Xangô

Os obás de Xangô / 159
I - Introdução / 160
II – O quadro atual dos obás / 164
III – Os otuns e os ossis / 167

A polaridade / 167

IV – A função dos obás no terreiro / 171
V – Admissão no grupo / 176
Substituição e renovação do quadro / 176
VI – Os nomes-títulos dos obás / 180

Bibliografia / 189
Ilê de Nação Afro-Brasileira Pai Xangô – Passo Fundo / 191
Perfil biográficodo autor / 199

Parte do livro  

Raízes

Candomblé é uma religião que tem suas raízes na velha África e é praticada principalmente no Brasil. Chegou com os escravos que aqui aportaram entre 1532 e 1850. Inicialmente praticado apenas pela população de escravos, o candomblé floresceu durante quatro séculos e expandiu-se consideravelmente depois do ano de 1800. Hoje é uma das maiores e mais bem estabelecidas religiões, agregando praticantes de todas as classes sociais. Os rituais têm suas origens nas nações Kêto, Jêje e Angola e se desenvolvem graças aos muitos sacerdotes que aqui chegaram, sem nome, sem nação, mas que souberam preservar e passar adiante todo o seu conhecimento.

Quando os africanos chegaram à América, por meio do tráfico negreiro, trouxeram suas tradições culturais e religiosas de várias partes daquele continente – África Ocidental, Central e Oriental. Para continuar cultuando seus orixás e manter a tradição religiosa tiveram de realinhar os cultos, aproveitando as influências dos diversos grupos étnicos (Yorubá, Fon, Ewe, Mahi, Banto etc.).

A maioria das religiões de origem africana que se firmaram nas Américas teve uma forte influência do povo yorubá ou nagô, e todas possuem um mesmo propósito em suas crenças e liturgia. Em geral, os rituais seguem as mesmas determinações: iniciação, cânticos na linguagem original, toques de atabaques, oferendas e sacralizações.

Uma parte importante da tradicional religião africana depende do conhecimento de “a qual orixá pertence o Ori”, ou seja, qual orixá toma conta da cabeça dos adeptos. Isso determinará as características e o destino pessoal de cada um e, consequentemente, o seu sucesso.

O axé é a força vital do candomblé, que está em todas as coisas, viventes ou inanimadas. O axé está relacionado ao “poder de realização”, de fazer com que as coisas aconteçam.

Na antiga tradição africana se costumava fazer assentamento para os orixás que serviam a uma comunidade inteira; assim, toda a população da aldeia se dedicava e fazia os preceitos para aquele orixá. Ainda existem hoje comunidades que preservam assentamentos que datam de mais de quatrocentos anos, totalmente preservados.

 
 

 

   
   
      


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