Texto de contracapa
O objetivo desta obra é descrever e analisar alguns fundamentos filosóficos, históricos e atuais concernentes ao processo da morte e do morrer, enquanto condição humana e natural, na perspectiva racional. Ela é resultado de pesquisas e discussões do Grupo de Estudos, constituído por professores e alunos do Curso de Filosofia e da Área de Ética e Conhecimento da Universidade de Passo Fundo (UPF), vinculado ao projeto de pesquisa institucionalizado "Caminhos da bioética: principialismo, ética e animais não-humanos, meio ambiente e o processo da morte e do morrer".
Dessa forma, os capítulos do livro estão ancorados nas abordagens filosóficas da morte em Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro, Kant e Heidegger e nas visões da imanência, finitude e negatividade do pensamento barroco, no problema da identidade, com algumas contribuições da física quântica, e em alguns acenos históricos e atuais da bioética.
Apresentação
Os coordenadores
O homem, pelo fato de possuir consciência de sua existência,
também tem consciência de sua finitude e, consequentemente,
da morte. A possibilidade da morte biológica, próxima ou vindoura, é algo inerente a todos os seres vivos. Acredita-se
que inclusive o universo, com uas galáxias, estrelas, asteroides, poeiras, planetas, também possua uma existência finita.
Tudo o que surge, desenvolve-se, multiplica-se, reorganiza-se,
explode, implode, tem um fim ou transforma-se em algo. Ora, o homem é um ser integrante dessa aventura cósmica. O grande diferencial, pelo menos na perspectiva antropológica, é que o
homem tem consciência do passado, do presente e das possibilidades do futuro. Ele sabe que está inserido numa dimensão temporal e espacial. Por isso, é capaz de procurar explicações sobre o fenômeno da morte e do processo de morrer.
Para os filósofos antigos, principalmente para Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro, Sêneca, Epicteto, a filosofia é um remédio para os males da alma, para a vida interior. Por meio dela, o sábio torna-se mais feliz, porque é capaz de compreender os problemas
contingenciais da natureza humana, principalmente aquele que
mais suscita pavor nos homens, que é a morte. Aceitar e filosofar sobre a morte é, de certa forma, aprender a viver.
Especificamente para Aristóteles, aprender a morrer, por
meio de argumentos filosóficos, é aprender a viver. E o sábio, pela busca da sabedoria, quanto mais mergulha na atividade Nadir-filosofias da morte da vida contemplativa, mais está preparado para enfrentar a morte e o processo de morrer.
Já na visão de Epicuro, a morte não é nada para o sábio,
porque todos os bens e os males passíveis de escolha e rejeição estruturam-se em torno das sensações. Ora, a morte é justamente ausência de sensação, ou seja, enquanto o homem existe,
vive, a morte está ausente, e quando ele morre, quando a morte acontece de fato, o homem já não existe mais. Por isso que a morte não é nada nem para os vivos nem para os mortos. Cabe ao homem sábio, ao sensato, manter uma postura altaneira, capaz de transcender as vicissitudes contingenciais, principalmente o medo da morte.
Na modernidade, no período Barroco, o homem procura, por meio da arte, encontrar razões para compreender a morte, por meio de uma visão de mundo pautada na existência melancólica, ensaiando uma vitória simbólica sobre a morte. Ainda
na modernidade, Kant considera que o sumo bem só é possível de ser alcançado se a imortalidade da alma e a existência de Deus forem admitidas. A morte não é discutida na filosofia kantiana, mas a defesa da tese da imortalidade da alma passa
pelo problema em questão. Portanto, para Kant a morte seria apenas do corpo físico, enquanto a alma seria imortal.
Já para Heidegger, filosofo contemporâneo, o homem é um
ser-para-a-morte. A morte é a possibilidade da impossibilidade, isto é, quando ela ocorre cessam todas as possibilidades existenciais. Quando o homem toma consciência dessa condição
humana, ele consegue despertar e isso gera a angústia, que faz com que o homem supere o estado de vida inautêntica, em que está mergulhado pela influência da cultura, e alcance uma vida autêntica. Por isso, a condição de ser-para-a-morte gera a possibilidade de transcender o estado de inautenticidade.
Na perspectiva da física quântica, a morte é um processo em que o corpo enquanto unidade se acaba, gerando uma dispersão de energia que antes existia como unidade apenas implicada numa rede de inter-relações. Da mesma forma, a consciência
também parece existir apenas como algo que depende das interrelações
estabelecidas em um contexto.
Atualmente, a morte passou do campo público ao privado, visto que a sociedade passou a ser regida pela aparência, pelo individualismo e pelo belo. Consequentemente, a morte tem sua máxima na exclusão e na solidão, ou seja, na ausência do outro. Assim, o objetivo do livro Filosofias da morte é descrever e
analisar alguns fundamentos filosóficos, históricos e atuais concernentes ao processo da morte e do morrer, enquanto condição humana e natural, na perspectiva racional. Ele é resultado de
pesquisas e discussões do Grupo de Estudos, constituído por professores e alunos do Curso de Filosofia e da Área de Ética e Conhecimento da Universidade de Passo Fundo (UPF), vinculado ao projeto de pesquisa institucionalizado Caminhos da bioética: principialismo, ética e animais não-humanos, meio ambiente e o processo da morte e do morrer.
Dessa forma, os capítulos do livro estão ancorados nas abordagens filosóficas da morte em Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro, Kant e Heidegger e nas visões da imanência, finitude e negatividade do pensamento barroco, no problema da identidade, com algumas contribuições da física quântica, e em alguns acenos históricos e atuais da bioética.
Sumário
Apresentação / 7
A morte como um ponto de interrogação
a ser desvendado
(Cleber Pagliochi, Cínthia Roso Oliveira) / 15
A vida e a morte diante de alguns aspectos históricos / 18
A morte pela classificação evolutiva do homem / 18
A morte para algumas posições orientais e ocidentais / 20
Abordagem sociológica da morte / 21
A morte diante do ideal da vida eterna / 23
A morte diante do ideal de transformar o mundo / 24
A morte diante do ideal da realização pessoal / 25
A morte como ato de falecimento / 26
A morte como parte da existência humana / 27
Tanatologia - a morte vista pela ciência / 28
Considerações finais / 29
Referências / 31
A questão da morte no pensamento de Platão
(Nadir Antonio Pichler, Lutecildo Fanticelli) / 33
Os pensamentos de Sócrates e de Platão / 34
Os principais preceitos socrático-platônicos / 36
O misticismo socrático-platônico / 37
A doutrina escatológica de Sócrates / 41
Os graus da morte em Platão / 50
Considerações finais / 51
Referências / 52
O sentido soteriológico da morte em Aristóteles: ensaio
(Nadir Antonio Pichler, Lutecildo Fanticelli) / 53
Aprender a morrer é aprender a viver no mundo grego / 54
A morte no sistema aristotélico / 56
A possível relação entre a “felicidade perfeita” e o sentido
da morte / 58
Considerações finais / 60
Referências / 60
O destemor da morte em Epicuro (Nadir Antonio Pichler) / 63
Sistema epicurista / 64
A morte não é nada para o sábio / 68
A função da filosofia sobre a morte / 70
Considerações finais / 71
Referências / 71
O cavaleiro, a morte e o diabo: imanência, finitude
e negatividade no pensamento barroco
(Francisco Fianco) / 73
Imanência e historicidade / 76
O contexto histórico-cultural do século XVII / 77
A figura do soberano como vinculação histórica / 80
Finitude / 84
Melancolia / 84
A imagem de Saturno / 88
Negatividade / 91
Conhecimento alegórico / 92
Considerações finais / 96
Referências / 99
A morte: alguns desdobramentos na filosofia
kantiana (Édison Martinho da Silva Difante, Regiano Bregalda) / 101
A noção de sistema em Kant / 102
O suicídio, a morte e a moralidade / 103
A regra moral enquanto imperativo da razão humana / 103
Suicidar-se: uma máxima contraditória / 107
Morrer para uma vida futura / 111
Os postulados de imortalidade da alma e da existência
de Deus / 113
Deus e alma / 113
O sumo bem: objeto da moralidade / 115
Considerações finais / 120
Referências / 121
O sentido existencial da morte: uma interpretação
a partir do paradigma heideggeriano (Marcelo J. Doro) / 123
O paradigma heideggeriano / 124
A existência decadente e a compreensão errônea da morte / 129
O conceito existencial da morte / 135
Considerações finais: a confirmação do ser-para-a-morte
pelo diagnóstico de doenças crônicas / 142
Referências / 147
A morte e o problema da identidade:
Há algo da pessoa que sobrevive após a sua morte?
(Cínthia Roso Oliveira, Cleber Pagliochi) / 149
A morte e algumas posições filosóficas sobre a identidade / 151
O problema da identidade e a física moderna / 155
O problema da identidade e algumas concepções
filosófico-religiosas orientais / 165
Considerações finais / 171
Referências / 174
Algumas perspectivas sobre o fenômeno da morte
no mundo atual (Édison Martinho da Silva Difante, Regiano Bregalda) / 177
Aspectos do contexto da morte / 179
A morte enquanto coisificação / 180
Os cinco estágios do ser humano
diante da morte / 182
Primeiro estágio: choque e incredibilidade / 183
Segundo estágio: a ira, rancor, a raiva / 184
Terceiro estágio: barganha / 185
Quarto estágio: depressão / 186
Quinto estágio: aprovação / 187
Breve reflexão dos cinco estágios / 189
Considerações finais / 192
Referências / 193 |